quarta-feira, 25 de agosto de 2010



Entre milhoes de sentimentos que temos, isto é, todos os dias sem percebemos estamos sentindo novas emoções. Nas poucas horas de horário livre tive algumas conversas sobre diversos assuntos e relembrando alguns do passado alheio. Culpa.
A culpa, eu acho, é um dos grandes motores secretos da nossa vida social. Algumas pessoas sentem culpa desproporcional porque o ato de enganar sexualmente .A traição ainda se reveste de uma importância para a nossa sociedade. Mas seria para tanto?

Pergunta por aí quem já enganou e foi enganado? O porcentual é enorme, entre homens e mulheres. A traição parece ser um fato da vida. Dói, mas acontece, repetidamente. Parece ser uma coisa humana, embora nós tenhamos inventado um monte de regras emocionais para evitá-la.

Lembro de um caso. Uma menina de onde eu estudava. Ela enganou a propria mae vários anos com o padastro dela. Quando a bomba explodiu. Fez o que qualquer sujeito acuado faria: casou com a menina. Minha aposta pessoal é que a culpa dele nesse episódio é tão devastadora, o quase-incesto pesa tanto sobre seus ombros. Precisa provar ao mundo que não é um monstro. As mulheres sempre foram modernas. Agora estão perdendo totalmente a vergonha.

Entre as fofocas e conhecimentos na politica que eu tenho, ouvi historias da canditada Dilma Roussef. Quando jovem, esteve envolvida em dois episódios de traição.
Ela, que era casada, envolveu-se com outro homem. Apaixonada, comunicou o fato ao marido, eles romperam e ela juntou-se ao outro. Nada disso deve ter sido fácil, mas parece ter sido simples. Meses depois, Dilma foi presa. Com ela na cadeia, o novo marido teve um caso com uma atriz muito conhecida na época. Ela soube, ficou magoada, cobrou dele, mas continuaram ligados. Anos mais tarde, livres, voltaram a viver juntos e tiveram uma filha. As pessoas são livres para fazer o que quiserem. Ninguém é dono de ninguém.

As pessoas sofrem quando são deixadas ou traídas, mas isso não lhes dá o direito de virar bicho. Ano passado virei bicho quando fui abandonado. Acho que virei bicho varias vezes ! E sei a dor como é. Vira e mexe se vê na TV a história de um sujeito que matou a namorada ou a mulher porque ela não queria mais nada com ele. Na cabeça dessas pessoas, abandono é crime de morte. Traição também. Ficam loucos de amor. O jeito é a gente tentar viver, desde que a gente não vire refém da culpa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



Eu não tenho tatuagens. Na minha geração já é moda. Eu não consegui embarcar. Talvez uma questão de medo da dor e por meus pais proibirem na epoca. Tenho dificuldade em responder às duas perguntas básicas que antecedem a tatuagem: onde tatuar e o quê tatuar. Imagino que essas dúvidas expressem uma resistência mais profunda. Tatuagens são para sempre e eu tenho dificuldade com o que é irremovível.

No meu grupo de amigos as tatuagens se multiplicam. Estão na faixa de 20 a 40 anos de idade. E nas mulheres eu acho linda as tatuagens. Ficam mais sedutoras. Em geral, tem tatauagem na nuca, panturrilha, virilia, ombro e por diversas partes do corpo. Os temas das tatuagens também são parecidos, o que faz com que as pessoas fiquem mais ou menos iguais. Homens e mulheres.
Teve um tempo que a tatuagem mostrava uma forma de rebeldia ou de erotismo.


Em relação ao erotismo, vi este fim de semana as fotos da Cléo Pires sem roupa e fiquei com a impressão de exagero. Continuava linda, mas, de alguma forma, aquele monte de desenhos desviava a atenção do essencial. Acho engraçado aquelas pesssoas que tem tatuadas no corpo: - Luas, estrelas, fadas, lírios, beija-flores, tribais... Parece uma feira hippie. Transformando o corpo num perfeito outdoor. Eu acho a onda das tatuagens mais uma expressão da nossa dificuldade cada vez maior em tratar com o abstrato. Vai alem das aparencias. Frases curtas, imagens marcantes, cores. A complicada troca de ideias. Carrego todos os meus símbolos comigo e os revelo de uma só vez, exibindo o braço em que uma imagem a personalidade de cada pessoa.

Como virou moda e todo mundo usa, alguém pode dizer que a tatuagem tornou-se simbolicamente inofensiva. Ela passa, como outras rebeldias visuais da adolescência ou modismos de décadas passadas. Os piercings que a garotada usava na sobrancelha e no umbigo sumiram, embora tenham ficado os buraquinhos. Cabelos esverdeados, tranças rastafári. Isso tudo vai embora quando o dono cansa. A tatuagem não. Ela fica. O corpo muda, as ideias se transformam, mas a aquele desenho permanece, na contramão da natureza.

Imagine a sua mãe até hoje com o cabelo que ela usava nos anos 80. A tatuagem é colado na pele, a lembrança de algo que você já foi, deixou de ser, mas continua sinalizando, como uma placa de trânsito que esqueceram de arrancar e que agora indica a direção errada.
Talvez eu esteja exagerando, mas sempre penso nas pessoas que escrevem na pele o nome daqueles que amam. O que acontece com elas? O sujeito vai embora, viver com outra, mas a ex tem o nome dele escrito na nuca. O rapaz levou um pé na bunda, o noivado acabou, mas ele fica com o nome da Fulana escrito no braço.
Tatuar é bonito. Legal. Apesar de tatuar a pele, também tatua a alma.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Quantas vezes você, já amou? Poucas, eu suponho. Amor é coisa que se conta nos dedos. Durante o jogo do Flamengo, numa reunião de amigos uma namorada de um amigo meu, ligou o radio e estava tocando a música do U2 - ONE. Ela jogou uma questão no ar perguntando quantos amores cada um ja tinham vivido. Raros terão tido muitos. Mas para mim nem sempre o amor é bom. Parece um pouco abstrato? Não é. Se você já teve várias relações amorosas, terá percebido que elas variam de tamanho emocional. Há desde aquelas grandiosas que parecem ser maiores do que a vida e causam a maior confusão, até aquelas relações menores, pequenas mesmo, que de tão discretas. Os efeitos transformadores dos terremotos afetivos são assim. Nos deixam transitorios. Alienados e irritados. No mundo das mulheres parecem que elas se fazem de bobas. Choram por um suposto amor, que nem esta ligando para ela. No qual quer a presença dele. Parece que gosta de sofrer. Ninguém confundiria essa paz e esse prazer com amor. Se você levanta, vai trabalhar e tem um dia tranqüilo não pode estar amando, certo? Pois é...

Acontece comigo, porém, que à medida que o tempo passa algumas dessas relações menores começam a brilhar na memória. E percebi a cura de uma decepção é deixar o coração aberto para um novo amor. Para as pessoas que foram muito magoadas e tenham medo de envolver novamente com outra pessoa, melhor ficar em casa dentro da privada e dar descarga. A vida é assim. Nao ter medo. A felicidade é muitas vezes o seu vizinho.

Ao longo dessa minha vida conheci algumas meninas que foram totalmente rebeldes. Parecia que eu procurava aquele tipo de mulher. Tinham o mesmo discurso: - Sou solteira, desimpedida e não quero namorar e nenhum homem presta. Elas falavam isso porque eram abandonadas pelo namorado ou eram chifradas por ele. Parecia um para-raio desse tipo de mulher. Tinham o mesmo perfil. Serias, quase não riam, centradas, objetivas, inteligentes, bonitas, irritadas, nem um pouco carinhosas e falam muito pouco da propria vida. Misteriosas. Morria de rir por dentro. Mantinha a seriedade. Sempre falava que era coisa de mulher. So quem é mulher sabe.

Quando eu olho para esses períodos de hoje e pessoas breves, enxergo sorrisos, olhos brilhantes, corpos contentes. E há também uma deliciosa gratuidade. Eu não estava mais preocupado em ser amado ou em ser abandonado. Eu simplesmente estava ali e era bom. Embora eu nem notasse quanto. Hoje me parece que essas experiências, apesar da sua aparência modesta o grande amor oprime, nos aflige, nos inquieta.
Da próxima vez que a sua parceira ou seu parceiro perguntar “você me ama” tente ser franco e responder “ainda não”, e acrescente: “e isso é muito bom. Significa que eu estou livre pra ser feliz e pra fazer você feliz”. Pode ser o começo de uma conversa muito boa. Sempre digo que não se pode levar o amor para lado racional.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


Um caso que nunca postei aqui no no blog foi o assunto sobre podólatras. Nunca fui muito fã e nem admirador sobre esse tema. Mas numa roda de amigos estavamos falando sobre pés femininos. E constatei que o verdadeiro podólatra, pés não precisam ser bonitos ou bem cuidados. Podem sem problema estar sujos ou mal cheirosos. Não faz diferença. O fetichista radical pensa em pés o tempo inteiro e os devora com todos os sentidos, inclusive o da audição. Pés podem ser mordidos, beijados e ate mesmo fazer sexos com eles. Como falei, não basta ter pés bonitos. Mas sim uma boa sadália, sapato entre outros acessorios.
Nos casos que escutei, amigos meus nem ficavam com a mulher por causa dos pés. Eles identificavam pelo calçado. Fiquei impressinado. E pelos pés, ja sabia se a mulher tinha uma boa higiene, entre outros atributos. Agora não me perguntem de onde vem a atração particular de tantos homens pelos pés das mulheres.